Guias de Turismo em Ouro Preto

Durante todo o ano Ouro Preto recebe turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. Turistas que buscam desde a paz religiosa encontrada nas várias igrejas de estilo barroco construídas na época colonial à festas promovidas por repúblicas durante o carnaval. E o que mais se vê nas ruas ouro-pretanas, principalmente nos finais de semana e feriado, são guias de turismo, ou que se dizem guias. A frente das igrejas e monumentos históricos sempre se vê pessoas oferecendo visitas às igrejas com “todas as informações sobre a história da cidade”.
A minha primeira “parada” a procura de informações sobre esse comércio foi no Centro Cultural e Turístico – FIEMG; onde a primeira vista fui recebida com muita simpatia pelas recepcionistas, entretanto ao me apresentar como estudante de Jornalismo a procura de uma entrevista sobre os guias da cidade, rapidamente mudou-se a receptividade, as funcionárias me disseram não poder responder e me encaminharam a Secretaria de Cultura e Turismo onde encontrei funcionários muito receptivos também e que me explicaram não poderem fornecer informações. Na Praça Tiradentes ficam geralmente os guias credenciados pela Embratur à prontidão dos turistas. O guia de 49 anos que estava por ali, que preferiu não se identificar, se prontificou a responder minhas questões. Contou-me que para trabalhar credenciado é necessário um registro na Embratur, que pede como pré requisitos cursos que demonstrem algum conhecimento e a realização de uma prova realizada pelo SENAC.
Danielle Diehl: “Quais são os cursos que o senhor possui para poder exercer a profissão?”
Guia: “Sou formado em Contabilidade, possuo cursos de História da Arte e Primeiros Socorros, mas comecei como Guarda Mirim aos 13 anos onde aprendi muito e decidi seguir a profissão de guia.
Danielle Diehl: “Possui algum idioma?”
Guia: “Falo espanhol, mas aqui no centro cultural têm guias que falam Inglês e Francês também.”
Quando questionado sobre os guias que trabalham ilegalmente ele sentiu ameaçado, mas com a omissão de seu nome resolveu falar, que não há fiscalização e que com isso a profissão fica desvalorizada, pois a concorrência é desumana. Em meses sem feriados prolongados os guias costumam faturar em torno de seiscentos reais, que são negociados com os turistas por meio de uma tabela fixa, mas que pode sofrer alterações dependendo da ocasião.
Os feriados que a cidade recebe mais turistas e que consequentemente os guias ganham mais, são no 8 de julho, semana santa, e quando os feriados são de quinta-feira. No 21 de Abril, quando a cidade é tomada por turistas pois a cidade recebe o presidente e várias atrações comemorativas ao Tiradentes, os guias não trabalham, pois a praça é fechada e eles impedidos de entrar.
A questão com os guias ilegais se torna mais problemática devido aos gastos que guias credenciados têm com renovação de registro que custa em torno de quinhentos reais, cursos para aprimorar o conhecimento; enquanto pessoas vendem serviços desqualificados colocando em risco a vida do turista e manchando a imagem da cidade. O guia ainda ressaltou que turistas brasileiros não têm o costume de pesquisar guias credenciados e costumam aceitar qualquer pessoa para acompanhá-los, enquanto os estrangeiros já vêm de seus países com um conhecimento prévio dos riscos que corre e já procuram um guia nos postos de informações turísticas que estão distribuídos por toda parte da cidade histórica.

Aluna Responsável: Danielle Diehl

Posted on 28 Abril, 2011, in Sen clasificar and tagged , . Bookmark the permalink. 4 Comentarios.

  1. Fernanda M. Guimarães

    Adorei a reportagem. Fiquei impressionada como os guias ganham um “salário” tão baixo! Como foi dito no texto, a desvalorização da profissão é visível.

  2. Realmente Fernanda, em meses normais sem feriados prolongados é esse o salário, mas nas férias eles burlam a tabela e faturam mais que o dobro. Entretanto a maioria deles vivem apenas com essa profissão.

  3. Cristina Méndez Salgado

    A masifiación do turismo a que hoxe estamos sometidos, incluso aquí en Compostela, debería facernos reflexionar sobre que é o que queremos que se saiba de nós. Todos envexamos, ou polo menos no meu caso, o turismo cultural e de ocio na usta medida que por exemplo os países escandinavos nos ofrecen. O que nos mostramos é un reflexo do que somo, está claro, pero non deberíamos esquecer que o feito de que o Sambódromo ou o Cristo da Auga sexa o máis coñecido de Brasil condiciona as ideas preconcebidas que temos de Brasil.

  4. Eliana Fernández Salgado

    Desconocía la existencia de guías ilegales, sin duda, como dices en tu post, pueden suponer una mala imagen para la ciudad sino cuentan con los conocimientos necesarios. No entiendo por qué la renovación del registro de los guías acerditados tiene un precio tan alto, y no le dan más facilidades, si al final, que estos últimos sean los que trabajen revierte positivamente para la ciudad.

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